300 de Esparta

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História

Rodrigo Santoro, ao “Inside the Movies” (WBTV): “Tentei fazer o Xerxes como a própria persofinicação da vaidade”. E tentou certo. Desde que assumiu o poder, Xerxes construiu uma imagem de Deus-Rei para si e cuidou de ampliar o império iniciado por seu pai, Dario.

Além de vários outros povos, Dario tentou conquistar a Grécia, numa série de batalhas que ficaram conhecidas como a I Guerra Médica (ou Medo-Pérsica). Os espartanos não participaram dessa guerra, alegando motivos religiosos. Mesmo com a ausência da elite militar grega, a Pérsia perdeu a guerra. A Grécia foi a mancha no governo de Dário.
Xerxes, ao assumir o poder, lançou seus olhos sobre o mar jônico, uma boa rota de comércio, e sobre a Grécia, que o controlava, pronto para corrigir o erro de seu pai.

Como mostra o filme “300 de Esparta“, Xerxes enviou mensageiros para os reis das principais pólis gregas, sugerindo que estes aceitem Xerxes como seu governante, pagando a ele tributos. A resposta deveria ser dada enviando ao rei persa uma amostra de água e outra de terra.

A proposta foi declinada por cada um dos reis. Provavelmente com alguma frase de efeito em Esparta, os espartanos eram muito dados a isso.

Os gregos, prevendo a guerra que estava por vir, esqueceram suas desavenças e se uniram na conferência pan-helenica. Argos, por uma desavença com Esparta, não compareceu, assim como algumas colônias distantes, que não julgavam estar ameaçadas pelo exército persa (geograficamente, não estavam mesmo, pois em sua maioria eram colônias situadas onte hoje são Sicília e Sardenha). Argos foi taxada de “medismo” – ou simpatizante dos medos (medos, persas, bárbaros, são todos o mesmo povo).

O comando da liga foi atribuído à Leônidas, rei de Esparta, por ser a potência militar a grécia (ou, quem sabe, pelas frases de efeito legais do rei, muito mais fácil ficar marcado na história desse modo). Assim começa a II Guerra Médica, com a famosa Batalha das Termópilas, que rendeu quadrinhos e alguns filmes, como o já citado aqui.
O exército de Xerxes foi recepcionado na costa grega por uma tempestade que destruiu muitos de seus navios; tempestade essa que foi celebrada entre os gregos, sendo considerada um presente de Poseidon, prova de que o deus era favorável aos gregos.

Durante 4 dias os persas encararam os gregos, esperando que eles atacassem primeiro. Como isso não aconteceu, Xexes mandou seus homens, armados apenas com lanças e escudos pequenos, para serem rechaçados pela elite espartana, que encabeçava o exército grego. Ao ver sua primeira derrota, Xerxes manda um emissário aos gregos, exigindo rendição e ameaçando enviar seus arqueiros. Nesse momento a frase “Then we will fight in the shade” (“Então lutaremos na sombra”) foi proferida. A frase original foi: “Melhor, pois se os Medos taparem o Sol, combateremos à sombra” e Heródoto e Plutarco discordam sobre seu autor. O primeiro atribui a frase a Diocenes, um dos mais bravos guerreiros espartanos, o segundo, a Leônidas.

Xerxes ameaçou, esperneou, desfilou, ofertou, mas os gregos não cederam. O Deus-Rei ofereceu o controle de todo o seu poderio militar a Leônidas, prometeu não interferir no governo das cidades-estado. Ainda assim, não foi o suficiente para que o povo grego cedesse ao persa.

A Batalha das Termópilas, então, teve o seu início. Batalha essa que, de início, envolveu toda a Hélade e não durou muito. Os gregos tinham a vantagem de conhecerem melhor o território e estarem situados no melhor local possível. 300 guerreiros espartanos situavam-se na linha de frente. Os persas não conseguiam furar as linhas e estavam apanhando do inóspito terreno grego, que não lhes oferecia conforto ou alimento.

No sexto dia da batalha, Xerxes é visitado por Efialtes, um espartano que trai seu povo em busca de poder e dinheiro. Após bajular o imperador Persa, troca uma informação importante pela promessa de status e riquezas: ele revela uma passagem que levaria o exército persa direto para a retaguarda grega e liderou Os Imortais de Xerxes por esse estreito, que estava sendo guardado pelos Fócios. Os Fócios não notaram a presença do inimigo até que fosse tarde demais, mas passaram a informação para Leônidas o mais rápido que puderam. O rei grego dispensou todo o exército grego, para que eles pudessem defender a Hélade mais adiante e manteve consigo 300 espartanos.

A Batalha das Termópilas foi vencida pelos persas, mas foi o nome de Leônidas que entrou para a história, coberto de glória e na elevada posição de herói. Apesar dessa vitória, Xerxes foi derrotado pelos gregos na Batalha de Salamina. Quanto a Efialtes, esse jamais recebeu as riquezas prometidas pelo rei persa e teve sua cabeça colocada à prêmio pelos gregos.

Os Quadrinhos

Frank Miller retrata de forma fiel a Batalha das Termópilas, com todas as honrarias que os espartanos merecem. Algumas alterações são feitas, é óbvio, aumentando a notoriedade dos feitos dos soldados de Leônidas.

Xerxes manda seus mensageiros, bem vestidos e cobertos de ouro, à Esparta, para convencer o rei a servi-lo. Chegando lá, esses mensageiros se deparam com um povo com o qual se contrastam, não apenas pelo modo de vestir, simples em Esparta, mas pelo modo de falar e agir. Eles se deparam com um povo simples, direto e objetivo, que preza a honra e o nome de sua Pólis e se recusa a curvar-se perante um rei estrangeiro. Tendo ouvido a mesma recusa de outras cidades-estado, os persas ameaçam Esparta com guerra.

Miller traz guerreiros espartanos lutando sozinhos, destituídos não apenas da ajuda de outros povos gregos, como do apoio do oráculo corrupto e do conselho corrompido. A batalha de Leônidas não é apenas por sua terra, contra os invasores, mas contra a falta de moral daqueles que estão em posições de poder.

Toda a arte dos quadrinhos merece ser elogiada. O formato do livro dificulta um pouco a leitura, mas é um detalhe irrelevante uma vez que se começa a viajar pelas cores da batalha. A narrativa é toda na voz de Dilios, um espartano cujo talento ia além dos campos de guerra e se estendia pela arte de contar histórias e as conta num tom lacônico, usando somente as palavras necessárias para se fazer entender, ainda assim contagiando e emocionando seus ouvintes. Dentro da narrativa de Dilios observa-se não apenas a história de uma batalha de um povo defendendo seu território, mas também os costumes desse povo e as próprias leis, representadas na fala de Gorgo, esposa de Leônidas: “Espartano! Volte com seu escudo ou sobre ele.”

Frank Miller se inspirou na verdadeira história da batalha e no filme “Os 300 de Esparta” (1962), que assistiu quando criança.

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Os 300 de Esparta
Título Original: 300
História e Arte: Frank Miller
Cores: Lynn Varley
Editora: Devir, 2006
1ª publicação: 1998

O Filme

Considerado, de longe, a melhor adaptação para cinema, “300 de Esparta” foi rodado em estúdio, sem qualquer cena externa. (Curiosidade: 90% do filme foi rodado sobre fundo azul, que combinava com a capa dos espartanos, os outros 10%, em fundo verde.) O cenário nos transporta diretamente para a Grécia antiga e as cores utilizadas traduzem cada passagem do filme.

Todos os trechos do filme são marcantes e, ainda que eu tenha ouvido opiniões que dizem o contrário, nenhuma cena é supérflua. Comparado aos quadrinhos, houve acrécimo de muitas coisas na história, como uma maior participação de Gorgo (Lena Headey), esposa de Leônidas (Gerard Butler) e rainha de Esparta.

Vale lembrar que o filme não conta apenas a história de Esparta em sua mais famosa batalha e não se resume à adaptação da obra de Frank Miller para as telonas. Como em quase todos os filmes lançados recentemente, podemos observar uma crítica à forma como se tem feito política no mundo, na cena do conselho e na do oráculo.

Cada atuação merece ser destacada, os atores cumpriram seu papel de forma exemplar e convenceram como heróis, tiranos, idealistas e crápulas. Xerxes (Rodrigo Santoro), o deus-rei dos persas, ficou impecável. Santoro acertou em classificá-lo como “a personificação da vaidade” e a representação está idêntica à da HQ. Enfatizo aqui que o Rodrigo Santoro não foi dublado. Ele (assim como outros atores) teve sua voz alterada digitalmente. A idéia era que Xerxes realmente lembrasse um deus, fosse imponente e tivesse uma voz forte e, ao mesmo tempo, suave; assustadora e sedutora.

A fotografia e a maquiagem do filme são impecáveis. O diretor conseguiu transmitir a idéia dos horrores mitológicos através dos seres deformados do exército persa e o heroísmo dos espartanos. A podridão dos Éforos também ficou bem visível.

O filme foi feito para ser o maior blockbuster do ano (talvez não o seja, mas era essa a intenção) e atrai todo tipo de público, desde aquele que se interessa pela história e os fãs dos quadrinhos até aqueles ávidos por sangue e batalhas.

 

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300 de Esparta
Título original: 300
Direção: Zack Snyder
Música: Tyler Bates
Distribuição: Warner Bros
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 117 minutos
Lançamento (EUA): 2007

 

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Sobre Fernanda Eggers

Comunicóloga, fotógrafa, jornalista, revisora, apaixonada por cinema, HQs e literatura. (E gatos.)
Esse post foi publicado em 300, Ação, Aventura, cinema, História, HQ, literatura, Tyler Bates, Warner. Bookmark o link permanente.

10 respostas para 300 de Esparta

  1. Gildo disse:

    Um texto muito bom um pouco longo pra minha disposiçao de hoje, mas muito interessante.
    O filme é um dos melhores do ano.

  2. Alan disse:

    Ótimo texto!!!

    Melhor filme do ano!

  3. Andressa disse:

    eu assisti este filme pela primeira vez eu amei de todos os filmes que eu assisti este foi o melhpr alem de contar as historias antigas

  4. Carla disse:

    Os governantes de Esparta,formada pela classe social dos esparciatas,se diziam os únicos descendentes de que povo??

  5. Israel disse:

    É 1 dos melhores Filmes que ja vi Amei esse filme 100000000000000000000000000000000000000

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